"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que não se pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi (...),
sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.”*


Brasileira, gerente de comunicação, solteira, 23 anos. Esse era o resumo do meu perfil antes do dia 18 de dezembro de 2008, data do meu embarque para a Irlanda, país em que iria viver pelo próximo ano. Contudo, passado algum tempo, descobri que um novo “eu” começava a funcionar do outro lado do oceano...

Agora sou mais que brasileira, não mais gerente ou jornalista (mas jornaleira), continuo solteira e a idade também mudou... Complicado entender?!? Um pouquinho... Por isso criei este espaço; para contar o que faço por aqui e como cada dia se transforma na terra dos gnomos.

Deixei a família, amigos, o meu trabalho em uma agência de comunicação em Belo Horizonte em dezembro de 2008 para vir pra cá aperfeiçoar o idioma, "mochilar", vivenciar outras culturas e aprender sobre "mim mesma". Talvez não tenha essa oportunidade no futuro, já que o s anos passam e as prioridades mudam. Porém, o fator que me motivou a sair do Brasil foi, sobretudo, profissional. Sempre me deparei com a falta da tal “experiência internacional”. Entendia que o inglês era algo sim muito importante – principalmente para a minha profissão – mas não entendia muito bem essa história de que os empregadores valorizam o profissional que esteve fora do pais, pois ele “aprendeu a se virar sozinho” e coisas do gênero. Espeeeera! Desde os 17 anos moro sozinha, trabalho, cozinho, lavo, passo, pago as minhas contas, enfim, administro minha própria vida. Vai me dizer que morar fora do país seria aprender mais ainda a me virar sozinha?!? Me poupe...

E poupei! Poupei minha língua e apaguei essa idéia do meu pensamento. Pois agora sei o que é estar aqui e o que significa a tal da “experiência internacional”. A vida muda muito quando se tem apenas um bilhete de volta na mão e você tem que fazer valer a pena. Fazendo um paralelo com a vida, é como se eu soubesse do fim, mas com data marcada. Daí tudo fica totalmente intenso: as amizades, os amores, as dores e as alegrias.

Desde que saí do Brasil tive essa idéia: fazer um blog! Como eu desenvolvo Web sites não seria difícil criar algo personalizado. Aqui conto minhas experiências na estrada, meu desenvolvimento no idioma, minhas viagens, trabalhos, amigos, incertezas, alegrias, causos, informações, curiosidades, fotos, videos, risos, sorrisos, abraços, lágrimas, lugares... Mas não veja este espaço como algo egocêntrico. Ao deixar esse pouco de mim quero que seja somado à você.

Bem-vindo(a) e não esqueça de deixar sua mensagem!

Por Thatiana Mendes
22 de fevereiro de 2009

* Adaptado do poema "Passagem das horas", de Fernando Pessoa.

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