ESPAÇO DEDICADO AOS MOCHILEIROS

Dicas e causos das principais cidades Européias dos países listados:

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TUDO VALENDO A PENA...

Portugal! Terra de Fernando Pessoa, dos gajos e das raparigas, dos descobrimentos, do pastel de Belém! Bom, fora os errinhos do meu “correto-português-brasileiro” entendi e vi tudo que pude dessa terra. Fui em quatro cidades portuguesas: Porto (de passagem), Arcos de Valdevez, Coimbra e Lisboa.

Coimbra
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Coimbra não estava nos meus planos... Aconteceu! Ainda em Madri, quando fui pegar o voo para a cidade do Porto conheci dois brasileiros de Maceió que moravam em Portugal: o Rodolfo e o Rodrigo - quase uma dupla sertaneja, rsrs. Comentei com eles que tinha exatamente 16 horas para fazer amigos e passar o Natal... Daí ficamos conversando durante o voo e numa turbulência acho que ficamos mais íntimos, haha. Foi então que eles me convidaram para passar o Natal em Coimbra. Fizemos uma ceia de filé de Peru, farofa e arroz. Cozinhei e fiquei feliz quando o Rodrigo disse: “arroz soltinho!”, rsrs. Foi a maneira que ele encontrou para dizer que estava bom...

Coimbra é uma cidade universitária. Tudo gira em torno dela. A Universidade de Coimbra é uma das mais antigas da Europa e a sede é num antigo castelo. As ruas são estreitas e os casarões se parecem com os de Outro Preto e Mariana, em Minas (saudade!). No Natal saímos para tirar fotos e eles me apresentaram a cidade... Aqueles meninos salvaram a minha Ceia! Já estou esperando a visita deles em Dublin ou no Brasil, com a mesma hospitalidade com que me receberam...

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Arcos de Valdevez e Porto
No dia 26 pela manhã peguei o trem (ou comboio como diriam os portugueses) para a cidade do Porto de onde pegaria um ônibus (ônibus não, autocarro, rs) para Arcos de Valdevez. No Porto fiquei apenas algumas horas e à tarde segui em direção à Arcos de Valdevez. É uma cidade na província do Minho, no norte de Portugal. Meu avô nasceu nessa cidade e sou a primeira integrante da minha família a visitá-la. Imagine a empolgação da família Gomes naquele momento?

O município é dividido em 51 freguesias (pequenas vilas), mas a principal é Arcos. Me hospedei na freguesia de Arcos e no primeiro dia fiz um tour pela cidade para conhecer um pouco. Fiquei em um Residencial excelente, muito barato e limpo. Falando nisso, nada é caro em Portugal. Comida e hospedagem com excelente preço e não perdem na qualidade.

arcosdevaldevez

Bom, no segundo dia fiquei a maior parte do tempo no cartório de Registro Civil procurando por algo do meu avô. Não sabemos o ano certo em que nasceu e ele perdeu os documentos quando foi para o Brasil, o que o obrigou a fazer documentos como se fosse brasileiro. Mas não encontrei nada, só nomes parecidos. Foi complicado, pois tinha que olhar uma margem de 10 anos já que não sabíamos ao certo a data de nascimento dele. Tive tempo de olhar apenas 15 freguesias... As representantes do cartório disseram que vão continuar o trabalho por mim, peguei os contatos e espero que encontre algo. Devo ainda ter parentes naquela região e eles provavelmente não sabem da nossa existência no Brasil, pois o meu avô jamais voltou...

A cidade é linda, uma vila limpa, quieta e bem fria. As pessoas sabem quando alguém não é de lá e comentam baixinho quando você passa. É muito linda e valeu conhecer.

Lisboa
Agora sim continuei meu "mochilinha", rs. Peguei um "autocarro" para Lisboa na noite do dia 28 e cheguei quase às seis da manhã. Da estação Oriente fui para o Hostel. Peguei um taxi, coisa que nunca faço, mas aquela corrida enoooorme me custou, sabe quanto? Oito euros. Muuuuito barato, “estás a perceber?". Uma curiosidade sobre a "última flor do Lácio" - ou língua portuguesa - em Portugal é o uso do gerúndio. Os nossos irmãos lusitanos não o falam, acreditam? “Fulano está a ler” e não lendo; “está a comer” e não comendo. E para perguntar se você entendeu alguma coisa eles dizem nos finais de frase: "Estás a perceber?", diferente...

Cais de Sodré Chiado e monumento a camoes

Descansei um pouco no Hostel mas saí ainda pela manhã andando pelo Cais de Sodré e depois pelo Chiado, um dos bairros mais conhecidos de Lisboa. Era ponto de encontro de intelectuais e tornou-se o centro do Romantismo Português. Também fui no Monumento à Luís de Camões, na divisa do Chiado com o bairro Alto. Lembrei das aulas de literatura sobre “Os Lusíadas”. Depois desci o Chiado até a praça do Rossio... Ah, antes passei pela Praça do Município. Da sacada do prédio em frente foi proclamada a república.

praça marques de pombalPeguei o ônibus de turismo. Em Lisboa vale a pena, pois são 15 euros para 48 horas (não 24 como nos outros países) e pude pegar duas linhas, a vermelha e azul, a primeira com destinos mais centrais e a azul que passa por fora da cidade indo até o oceanário. É a maneira mais rápida e barata de ver todos os pontos da cidade. A primeira parada foi nos Restauradores. É uma região que tem como monumento um obelisco com o nome das principais batalhas dos Restauradores (Restauradores foram os homens que em 1640 restauraram a independência portuguesa, pondo fim ao domínio Filipino em Portugal). Depois fomos para a Praça Marquês de Pombal, Parque Eduardo XVII, Praça de Espanha e Praça de Touros.

No segundo dia comecei indo pelo Parque e Basílica de Estrela e o Monumento de centenário do descobrimento do Brasil . A Basílica de Estrela é muito bonita. Ela foi feita por D. Maria I (ela mesma, a louca), que tinha como Santo pessoal o Sagrado Coração de Jesus. Ela só teve filhas e fez uma promessa que se tivesse um filho varão ela mandaria erguer um templo ao Sagrado Coração. Foi a primeira basílica em homenagem ao Sagrado Coração no mundo.

Depois foi a vez dos mais emocionantes: a Torre de Belém, o Padrão dos descobrimentos e o Mosteiro dos Jerônimos. Sabia que existe Arquitetura Manoelina? Pois sim, Manoel! Não só existe, como o Mosteiro é o maior exemplo desse legado. Bom, todos esses pontos que citei são próximos, na região de Belém. O Mosteiro tem uma capela muito bonita e abriga os jazigos de Vasco da Gama, Camões e Fernando Pessoa.

Mais tarde deu fome, claro. Já que estava em Belém, porque não um pastel? Lá fui eu... Tinha uma pequena fila, mas valeu a pena. Por 90 centavos comprei o meu! O primeiro pastel de Belém a gente nunca esquece... (mas tem que ser na fábrica de pastéis que fica em Belém, caso contrário não vale). Seguindo meu rumo fui para o Parque das Nações onde está a Ponte e a Torre Vasco da Gama e o Oceanário, que é o segundo maior do mundo. São variedades de peixes inimagináveis: desde corais flosflorescentes a peixes que se camuflam na terra! Atrás do Oceanário estão os bondinhos que levam para a torre Vasco da Gama. Essa região que abriga o Oceanário e esses pontos que acabei de mencionar fazem parte do Parque das Nações, a região mais moderna de Lisboa, reformulada para a Exposição Mundial de 98.

Padrão dos descobrimentos e Mosteiro dos Jeronimos

No finalzinho do dia ainda deu tempo de passar na rua Augusta, a Champs-Élysées portuguesa. Lá está o elevador de Santa Justa, que liga a cidade baixa ao bairro Alto. Ele estava todo iluminado para o Natal. Depois ainda tentei ver algo da Praça do comércio, que estava em reforma, aff! E depois subi de elétrico (bondinho) para o Castelo de São Jorge, mas estava fechado. Dessa vez foi o tempo queTorre de Lisboa não estava do meu lado, mas paciência... Bom, ainda deu pra aproveitar um pouquinho do final da noite no hostel, comendo uma lasanha que comprei no mercadinho por 2 Euros! Mochileira profissional...

No outro dia, 31, peguei meu voo para Dublin, onde iria passar o Reveilon com os meus amigos. Após 13 dias já estava com a cabeça “zonza” de misturar espanhol, inglês e português; de andar e andar; de comer MC Donalds (e lasanha e pastel de Belém), mas o coração... Ah, esse estava cheio. Cheinho de felicidade por tudo que meus olhos puderam ver e conhecer. De tocar na Torre de Belém, de olhar o Rio Tejo, de provar a comida e de ouvir o som do fado. É Pessoa... Tudo realmente vale a pena quando a alma não é pequena.

Até logo! = No português lusitano!

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